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A história dos jabutis — Edital Sementes

PUBLICADO EM: 09 de setembro de 2021

A narrativa enviada por Iracilda, ou Samy em sua língua indígena, explica como os jabutis se tornaram os animais que conhecemos hoje.

Narrativa Shanenawa

“A história dos jabutis”

por Iracilda Gomes de Araújo Shanenawa - Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC) | para Edital Sementes

Meu nome em português é Iracilda Gomes de Araújo Shanenawa. Na língua indígena me chamo Samy. Sou do povo Shanenawa, moro na Aldeia Morada Nova. Eu vou contar a história do Jabuti, que na história conta que o jabuti andava em bando.

Então, certo dia eles estavam brincando no meio da floresta, se balançando no cipó. E quando chegou uma onça, querendo brincar com eles, e eles não aceitaram. E aí a onça insistiu, até que eles deixaram a onça se balançar também. E a onça se balançando, se espinhou todinha numa árvore cheia de espinho, que é chamada murmuru. E morreu. E os jabuti pegaram a onça, se dividiram em pedaço. Cada um deles ficaram com um pedaço da onça. Então quando eles fizeram o muquém, chamado huraku, que é a carne da onça enrolada na folha. E aí eles voltaram a balançar de novo, brincar. Eles tavam muito alegre, cantando, gritando. E diziam assim “kuru pashkara, unu pashkara”. Eles tavam muito alegre. E aí chegou a outra onça perguntando pra eles o que era aquilo que eles tinham feito o muquém. Aquele enrolado na folha, o que era. Eles falaram que não era nada, aí a onça foi e tomou.

Tomou o muquém, e era a carne da onça enrolada na folha. E ele viu a carne da onça e falou “vocês mataram minha família, agora eu vou matar vocês também”. E a onça começou a pegar de um por um, arrancando a cabeça deles. E os jabutis eram muito inteligentes. Quando a onça arrancou a cabeça deles todinha, a onça foi embora. Quando chegou o marimbondo, perguntando o que tinha acontecido com eles, eles falaram que tinha sido a onça que tinha arrancado a cabeça deles. E aí ele disse “eu vou colar vocês”, e colou. Mas ao invés de colar do jeito que era, colou a cabeça dele da frente pra trás. Então o jabuti ficou com a cabeça da frente pra trás. Não ficou mais normal como era. E o jabuti acabou de andar em bando. Todos se espalharam. Não ficaram mais em bando. Então a história do jabuti conta que o jabuti andava em bando e era inteligente. Então o fim da história conta que o jabuti ficou com a cabeça da frente pra trás.

O Edital Sementes tem como objetivo destacar narrativas que interligam questões de gênero e clima e que normalmente não encontram vazão nos espaços institucionais. São relatos orais transcritos, narrativas tradicionais, poéticas e outros que, ao serem reconhecidos, ajudam a adiar o fim do mundo.

Alguns dos materiais passaram por edição ou adaptação para melhor clareza e melhor leitura, às vezes reduzindo seu tamanho original.

“Este conteúdo não representa, necessariamente, a opinião do Observatório do Clima ou de qualquer um de seus membros.”

Gênero e Clima

Narrativa Shanenawa do canoeiro — Edital Sementes

Sou Maria Brandão da Silva. Meu nome na língua indígena é Matsianeh, pertenço ao povo Shanenawa, moro na aldeia Morada Nova. Sou artesã, professora da minha aldeia. E vou contar a história que sempre ouvi minha vó falando, me ensinando, contando para mim e para os outros meus primos, quando era noite. Se chama Poá.

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